30.11.16

Desenvolvimento Mediúnico :Direção dos Trabalhos


O diretor dos trabalhos tem, a seu turno, de agir com discernimento e prudência, conforme a natureza da sessão que preside.

Em geral, para a formação de um bom ambiente, e após, é claro, os entendimentos preliminares com os operadores invisíveis, (o que deve ser feito em ocasiões apropriadas) deve exigir dos presentes a mais perfeita concentração, expungindo de todas as mentes pensamentos e preocupações ligados à vida material.

A sessão é um oásis de repouso para o viandante cansado de seus labores; ali se dessedenta, se recupera e se estimula para novos esforços; mas para que o repouso seja realmente confortador é necessário que o viajante, ao penetrar no recinto, procure se esquecer de suas inquietações e de seus temores e se entregue completamente ao aconchego e à proteção que ele oferece.

A assistência deve ser afastada das mesas de trabalho e em torno destas deve existir uma cadeia fluídica de segurança, formada de elementos capazes de manter uma concentração perfeita e isso para que os médiuns fiquem isolados e a coberto de influências exteriores.

Preleções constantes sobre mediunidade são necessárias, focalizando-se seus diferentes aspectos e a conduta que os médiuns devem manter durante os trabalhos.

Nos casos de incorporação explicar as diferenças que apresentam os três aspectos ‘da faculdade, particularizando seus detalhes. Esclarecer que no caso “consciente” ‘o animismo é circunstância natural e às vezes mesmo favorável, porque se o médium possui cabedal próprio de conhecimentos, maior riqueza de vocabulário e maior facilidade de expressão, tanto melhor transmitirá as idéias que receber do Espírito comunicante. O médium, pois, que tenha confiança em si mesmo certo de que, dentro da corrente e na hora da comunicação, o que vier não será dele mas sim do Espírito comunicante; que não analise o que recebe para transmitir; que fique em estado receptivo e dê ampla vasão às idéias ou pensamentos que receber. (34)
(34) Mais tarde, quando já desenvolvido e entregue aos trabalhos, novos detalhes serão fornecidos a este respeito para o aprimoramento da faculdade. 
No jogo das idéias próprias e daquelas que vêm do Espírito comunicante, deve o médium, desde início, estar vigilante para distinguir uma coisa de outra, estabelecer limites se bem que só o tempo e o tirocínio mediúnico fornecerão elementos seguros dessa distinção.

Ensine-se ao médium, todavia, que do seu sub-consciente pode usar livremente os elementos próprios, no que respeita a palavras, locuções, etc., necessárias à interpretação e transmissão das idéias recebidas telepaticamente, só devendo ressalvar em si mesmo, justamente as idéias, porque estas pertencem ao Espírito comunicante.

Ensine-se-lhe também que quando as idéias fluem livremente, desembaraçadamente, isto é sinal que não pertencem a ele, médium; são transmissões telepáticas e que, toda vez que ele, médium, interfere produz-se  uma síncope, uma pausa, uma interrupção na transmissão, que passa então a desenvolver-se com dificuldade, sem fluidez, forçadamente.

Recomende-se-lhe outrossim que antes de se deixar influenciar se dê a si mesmo sugestões no sentido de não bater nas mesas, não bater os pés e as mãos, não gritar, não gemer, não fazer gestos impulsivos ou violentos, não tomar atitudes espetaculares; enfim exija-se que se conserve calmo, silencioso, confiante, discreto.

Os médiuns devem ser separados em mesas ou grupos diferentes segundo o estado que atingiram no desenvolvimento, devendo ir transitando de uma mesa ou grupo para outro à medida que progridem.

O diretor do trabalho não deve permitir manifestações extemporâneas nem tampouco intervenção de médiuns porventura postados fora da corrente.

É necessário que os médiuns, como já dissemos, saibam distinguir fluidos, uns de outros pois, segundo sua vibração e qualidade, são diferentes. Um mau fluido tem vibração mais pesada, mais lenta e produz efeito desagradável, irritante, ao passo que o bom fluido é suave, repousante, confortador.

Este conhecimento serve, além de outras coisas, para em qualquer caso ou circunstância, distinguir uma entidade manifestante de outra, identificá-la, afastando-a muitas vezes antes que ela possa causar qualquer perturbação.

E ter também em conta que determinada qualidade de fluido afeta determinada região ou órgão do corpo físico, reflexivamente, sendo este também um outro meio de defesa própria, de diferenciação e de identificação de Espíritos.

Outra coisa a recomendar aos médiuns em desenvolvimento é que não se deixem influenciar fora das horas de trabalho mediúnico e sem a devida proteção ambiente, bem como afastar por meio de preces ou ordens mentais positivas e enérgicas, entidades perturbadoras e indesejáveis. 

Ao médium inconsciente deve-se também ensinar que, antes de entregar-se ao transe, não lhe merecendo plena confiança o meio em que se achar, deve ligar-se mentalmente ao protetor individual para que, no caso de ocorrer qualquer imprevisto ou tornarem os trabalhos um rumo inconveniente, possa imediatamente libertar-se do transe. Somente desta forma poderá ele, nestes casos, exteriorizar-se com tranqüilidade e confiança. 

Enfim, nos trabalhos de desenvolvimento, não basta fazer os médiuns sentarem-se à mesa, concentrarem-se e se entregarem cegamente às influências invisíveis; é necessário assegurar-lhes proteção, conselho, orientação adequada e isso só poderá ser feito quando o diretor do trabalho tem conhecimentos suficientes e a autoridade moral necessária.

Livro Mediunidade
Autor Edgard Armond

Paz e Luz!

Desenvolvimento Mediúnico: Na Intimidade do Processo.


Feitas assim estas generalizações, vamos agora ver de que maneira se processa o desenvolvimento em si mesmo. 

Encaremos a primeira fase: — a da adaptação psíquica. 

Posto o médium na corrente magnética inicia-se imediatamente o trabalho de limpeza espiritual, com a dissolução das placas fluídicas, aderidas ao perispírito e advindas do exterior por afinidade vibratória ou do interior, como resultante de seus próprios pensamentos e sentimentos negativos, bem como com o afastamento das entidades perturbadoras ligadas ao médium e atraídas, sempre por afinidade, por suas condições vibratórias internas. 

Tanto essas placas (ou manchas), como as interferências pessoais de obsessores, davam ao perispírito vibrações impróprias, desordenadas, às vezes muito intensas outras vezes muito lentas. que se refletiam no sistema nervoso em geral, produzindo alterações psíquicas e orgânicas. 

Este trabalho de limpeza é feito pelos assistentes espirituais, que lançam mão dos elementos magnéticos positivos extraídos da própria corrente ou de passes e radiações fluídicas pessoais que dirigem sobre o médium. 

Em casos graves, de perturbações muito fortes e quando falham seus próprios recursos, os assistentes recorrem a mananciais de forças de planos superiores, por intermédio de entidades de maior hierarquia, às quais mentalmente se dirigem. 

Assim se consegue, desde os primeiros trabalhos e após sessões continuadas, normalizar a vibração perispiritual, passando então o perispírito, devidamente refeito, a exercer sobre o sistema nervoso e sobre os plexos e glândulas, o domínio normal e as relações pacificas e regulares que caracterizam o indivíduo psiquicamente equilibrado. 

Vejamos agora a segunda fase: a do desenvolvimento propriamente dito. 

Limpo o perispírito de influências impróprias e negativas e normalizadas as relações entre ele e o aparelho nervoso, o campo mediúnico se apresenta, então, em condições de ser exercitado. 

O trabalho, sempre com o auxílio dos elementos já referidos, se resume na intervenção dos agentes espirituais, sobre os órgãos de percepção e de ligação psíquica, principalmente a glândula pineal — para o vegetativo. 

Esses órgãos vão sendo então exercitados pelos operadores Invisíveis, até que obtenham a vibração especial própria da eclosão da faculdade que se tem em vista desenvolver. 

Aos poucos vai o perispírito atingindo esse estado vibratório necessário e aos poucos vão, também, se desenvolvendo e caracterizando as manifestações que produz até que essa capacidade especial vibratória se consolide, se estabilize, se torne espontânea, elástica e flexível, capaz de ressoar harmonicamente a qualquer nota, vamos dizer assim, da. escala vibratória espiritual. 

Chegando a este ponto o médium estará em condições de servir de intermediário a Espíritos de qualquer condição e grau da hierarquia; e estará também em condições de desempenhar sua tarefa por si mesmo, sem perigo de degeneração, com segurança e pleno conhecimento de causa.
(33) Ao que está dito acrescente-se o ensino de Kardec, segundo o qual médium desenvolvido é aquele que somente recebe inspiração de Espíritos superiores. O Codificador quer dizer que desenvolvido está o médium quando produz o trabalho que dele se espera porém, quanto à obediência, à orientação espiritual, somente se submete a protetores e guias de ordem superior.
 O desenvolvimento, tanto na primeira como na segunda fases, pode exigir maior ou menor tempo, segundo o estado moral, o devotamento e a fé que o médium demonstrar desde início; mas depende também e muito do ambiente em que o trabalho se realiza, o qual, não sendo plenamente favorável, pode retardar o processo ou degenerar as faculdades incipientes.

Na primeira fase o mau ambiente, ao invés de limpar, acrescenta elementos contrários ao quadro dos já existentes e atraí novas forças hostís, perturbando ainda mais o médium; e na segunda pode produzir um desenvolvimento desarmônico, num sentido vicioso e inconveniente, levando à formação de médiuns descontrolados, que jamais atingirão um estado satisfatório de eficiência mediúnica.

Em ambientes favoráveis, desde início cedem também, como já vimos, as perturbações de fundo orgânico porque, removidas as placas do perispírito, automàticamente estarão também removidos seus reflexos nos órgãos físicos correspondentes, já que o corpo físico é um duplicado, uma projeção do perispírito, que é a matriz modeladora.

Desde o início do desenvolvimento deve o médium estabelecer e conquistar um padrão o mais perfeito possível de conduta moral, por meio de auto-refreamento e de preces, para que suas vibrações internas se apurem, clarificando e purificando a aura mediúnica.

Tal procedimento ajuda poderosamente o desenvolvimento e sem esse processo interno de auto-purificação, pela reforma moral, nenhum desenvolvimento normal e perfeito será possível ou terá caracter definitivo.


Livro Mediunidade
Autor Edgard Armond


Muita Paz!

A Ponte de Luz


Terminara Jesus a prédica no monte.
Nisso, o apóstolo Pedro se aproxima
E diz-lhe: – Senhor, existe alguma ponte
Que nos conduza ao Alto, ao Céu que brilha muito acima?
Conforme ouvi de tua própria voz,
Sei que o Reino do Amor está dentro de nós…
Mas deve haver, no Além, o País da Beleza,
Mais sublime que o Sol, em fulgor e grandeza…
Onde essa ligação, Senhor, esse divino acesso?


Jesus silenciou, como entrando em recesso
Da palavra de luz que lhe fluía a jorro…
Circunvagou o olhar pelas pedras do morro
E, depois de comprida reflexão,
Falou ao companheiro: – Ouve, Simão,
Em verdade, essa ponte que imaginas
Existe para a Vida Soberana,
Mas temos de atingi-la por estrada
Que não é bem a antiga estrada humana.


– Como será, Senhor, esse caminho?
Tornou Simão a perguntar.
E Jesus respondeu sem hesitar:
– Coração que a escolha, às vezes, vai sozinho,
E quase que não tem
Senão renúncia e dor, solidão e amargura…
E conquanto pratique e viva a lei do bem,
Sofre o assédio do mal que o vergasta e procura
Reduzi-lo à penúria e ao desfalecimento.
Quem busca nesta vida transitória,
Essa ponte de luz para a eterna vitória
Conhecerá, de perto, o sofrimento
E há de saber amar aos próprios inimigos,
Não contará percalços nem perigos
Para servir aos semelhantes,
Viverá para o bem a todos os instantes
E mesmo quando o mal pareça o vencedor,
Confiando-se a Deus, doará mais amor…
E ainda que a morte, Pedro, se lhe imponha,
Na injustiça ferindo-lhe a vergonha,
Aceitará pedradas sem ferir,
Desculpará injúria e humilhação
Se deseja elevar o coração
À ponte para o Reino do Porvir…


Alguns dias depois, o Cristo flagelado,
Entregue à própria sorte
Encontrava na cruz o impacto da morte,
Silencioso, sozinho, desprezado…


Terminada que foi a gritaria
Da multidão feroz naquele dia,
Ante o Céu anunciando aguaceiro violento,
Pedro foi ao Calvário, aflito e atento,
Envergando disfarce…
Queria ver o Mestre, aproximou-se
Para sentir-lhe o extremo desconforto…


Simão chorou ao ver o Amigo morto.


E ao fitá-lo, magoado, longamente
Ele ouviu, de repente,
Uma voz a falar-lhe das Alturas:
– Pedro, segue, não temas, crê somente!…
Recorda os pensamentos teus e meus…
Esta cruz que me arrasa e me flagela
É a ponte que sonhavas, alta e bela,
Para o Reino de Deus.


Espírito Maria Dolores
Médium Chico Xavier

Vida Feliz XXXVII

 

Nunca enganes a ninguém.

A vida é grande cobradora e exímia retribuidora.

O que faças com os outros sempre retornará a ti.

À sementeira sucede a colheita.

Segarás conforme hajas plantado.

Quem engana, ilude, trai, a si próprio se prejudica, desrespeitando-se primeiro e fazendo jus depois aos efeitos da sua conduta reprochável.

Sê honesto para contigo, e, como consequência, para com teu próximo.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Médium Chico Xavier

Assuntos de Tempo


Se você já sabe quão precioso é o valor do tempo, respeite o tempo dos outros para que as suas horas sejam respeitadas.

*

Recorde-se de que se você tem compromissos e obrigações com base no tempo, acontece o mesmo com as outras pessoas.

*

Ninguém evolui, nem prospera, nem melhora e nem se educa, enquanto não aprende a empregar o tempo com o devido proveito.

*

Seja breve em qualquer pedido.

*

Quem dispõe de tempo para conversar sem necessidade, pode claramente matricular-se em qualquer escola a fim de aperfeiçoar-se em conhecimento superior.

*

Trabalho no tempo dissolve o peso de quaisquer preocupações, mas tempo sem trabalho cria fardos de tédio, sempre difíceis de carregar.

*

Um tipo comum de verdadeira infelicidade é dispor de tempo para acreditar-se infeliz.

*

Se você aproveitar o tempo a fim de melhorar-se, o tempo aproveitará você para realizar maravilhas.

*

Observe quanto serviço se pode efetuar em meia hora.

*

Quem diz que o tempo traz apenas desilusões, é que não tem feito outra cousa senão iludir-se.


Pelo Espírito André Luiz
Médium Chico Xavier

21.9.16

Trovas!


Ari, filho de Zefinha,
Guloso como ele só,
Comia porco, galinha,
E outros bichos, sem dó.


O Zequinha da farmácia,
Chamava sua atenção,
"Atrás da carne macia,
Vem males pro coração!"


Mas Ari nem lhe ouvia,
Teimoso feito criança,
A coisa que mais queria,
Era encher sua pança.


No aniversário da Bia,
Comeu feito um condenado,
Logo entrou em agonia,
Com o coração enfartado.


Fica aqui uma lição,
Pra quem come sem medida,
Quem sofre é o coração,
Com excesso de comida!


Espírito Cornélio Pires,
Médium Chico Xavier

Paz e Luz!

15.9.16

Chamados e Escolhidos



Estejamos convencidos de que ainda nos achamos a longa distância do convívio com os eleitos da Vida Celeste; entretanto, pelo chamamento da fé viva que hoje nos trás ao conhecimento superior, guardemos a certeza de que já somos os escolhidos:

- para a regeneração de nós mesmos;
- para o cultivo sistemático e intensivo do bem;
- para o esquecimento de todas as faltas do próximo, de modo a recapitular com rigor as nossas próprias imperfeições redimindo-as;
- para o perdão incondicional, em todas as circunstâncias da vida;
- para a atividade infatigável na confraternização verdadeira;
- para auxiliar os que erram;
- para ensinar aos mais ignorantes que nós; 
- para suportar o sacrifício no amparo aos que sofrem, sem a graça da fé renovadora que já nos robustece o espírito;
- para servir além de nossas próprias obrigações, sem direito àrecompensa;
- para compreender os nossos irmãos de jornada evolutiva, sem exigir que nos entendam;
- para apagar as fogueiras do ódio e da incompreensão, ao preço denossa própria renúncia;
- para estender a caridade sem ruído, como quem sabe que ajudar aos outros é enriquecer a própria existência;
- para persistir nas boas obras sem reclamações e sem desfalecimentos, em todos os ângulos do caminho;
- para negar a nossa antiga vaidade e tomar, sobre os próprios ombros,cada dia, a cruz abençoada e redentora de nossos deveres, marchando, com humildade e alegria, ao encontro da vida sublime...

A indicação honrosa nos felicita.

Nossa presença nos estudos do Evangelho expressa o apelo que flui do Céu no rumo de nossas consciências. Chamados para a luz e escolhidos para o trabalho.

Eis a nossa posição real nas benções do “hoje”. E se quisermos aceitar a escolha com que fomos distinguidos,estejamos certos igualmente de que em breve, “amanhã”, comungaremos felizes com o nosso Mestre e Senhor. 

Do livro "Instrumentos do Tempo", psicografia de Francisco Cândido Xavier pelo espírito 
Emmanuel.

Paz e Luz!

8.9.16

O Suicida do Trem

Eu nunca me esquecerei que um dia havia lido num jornal acerca de um suicídio terrível, que me impactou: um homem jogou-se sobre a linha férrea, sob os vagões da locomotiva e foi triturado. E o jornal, com todo o estardalhaço, contava a tragédia, dizendo que aquele era um pai de dez filhos, um operário modesto.

Aquilo me impressionou tanto que resolvi orar por esse homem. Tenho uma cadernetinha para anotar nomes de pessoas necessitadas. Eu vou orando por elas e, de vez em quando, digo: se este aqui já evoluiu, vou dar o seu lugar para outro; não posso fazer mais.

Assim, coloquei-lhe o nome na minha caderneta de preces especiais - as preces que faço pela madrugada. Da minha janela eu vejo uma estrela e acompanho o seu ciclo; então, fico orando, olhando para ela, conversando. Somos muito amigos, já faz muitos anos. Ela é paciente, sempre aparece no mesmo lugar e desaparece no outro.

Comecei a orar por esse homem desconhecido. Fazia a minha prece, intercedia, dava uma de advogado, e dizia: Meu Jesus, quem se mata (como dizia minha mãe) "não está com o juízo no lugar". Vai ver que ele nem quis se matar; foram as circunstâncias. Orava e pedia, dedicando-lhe mais de cinco minutos (e eu tenho uma fila bem grande), mas esse era especial.

Passaram-se quase quinze anos e eu orando por ele diariamente, onde quer que estivesse. Um dia, eu tive um problema que me fez sofrer muito. Nessa noite cheguei à janela para conversar com a minha estrela e não pude orar. Não estava em condições de interceder pelos outros.

Encontrava-me com uma grande vontade de chorar; mas, sou muito difícil de fazê-lo por fora, aprendi a chorar por dentro. Fico aflito, experimento a dor, e as lágrimas não saem. (Eu tenho uma grande inveja de quem chora aquelas lágrimas enormes, volumosas, que não consigo verter). Daí a pouco a emoção foi-me tomando e, quando me dei conta, chorava.

Nesse ínterim, entrou um Espírito e me perguntou: Por que você está chorando? Ah! Meu irmão - respondi - hoje estou com muita vontade de chorar, porque sofro um problema grave e, como não tenho a quem me queixar, porquanto eu vivo para consolar os outros, não lhes posso contar os meus sofrimentos. Além do mais, não tenho esse direito; aprendi a não reclamar e não me estou queixando.

O Espírito retrucou: Divaldo, e seu eu lhe pedir para que você não chore, o que é que você fará? Hoje nem me peça. Porque é o único dia que eu consegui fazê-lo. Deixe-me chorar! Não faça isto, pediu. Se você chorar eu também chorarei muito.

Mas por que você vai chorar? perguntei-lhe: Porque eu gosto muito de você. Eu amo muito a você e amo por amor. Como é natural, fiquei muito contente com o que ele me dizia.

Você me inspira muita ternura - prosseguiu - e o amo por gratidão. Há muitos anos eu me joguei embaixo das rodas de um trem. E não há como definir a sensação da eterna tragédia. Eu ouvia o trem apitar, via-o crescer ao meu encontro e sentia-lhe as rodas me triturando, sem terminar nunca e sem nunca morrer. Quando acabava de passar, quando eu ia respirar, escutava o apito e começava tudo outra vez, eternamente.

Até que um dia escutei alguém chamar pelo meu nome. Fê-lo com tanto amor, que aquilo me aliviou por um segundo, pois o sofrimento logo voltou. Mais tarde, novamente, ouvi alguém chamar por mim. Passei a ter interregnos em que alguém me chamava, eu conseguia respirar, para aguentar aquele morrer que nunca morria e não sei lhe dizer o tempo que passou.

Transcorreu muito tempo mesmo, até o momento em que deixei de ouvir o apito do trem, para escutar a pessoa que me chamava. Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: "Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se." Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.

Eu perguntei - continuou o Espírito - quem é? Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia? Mamãe surgiu e esclareceu-me: “É uma alma que ora pelos desgraçados. Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome. (Note que eu nunca o vira, face às diferenças vibratórias.)

Quando adquiri a consciência total - prosseguiu ele - já se haviam passado mais de catorze anos. Lembrei-me de minha família e fui à minha casa. Encontrei a esposa blasfemando, injuriando-me:

"Aquele desgraçado desertou, reduzindo-nos à mais terrível miséria. A minha filha é hoje uma perdida, porque não teve comida e nem paz e foi-se vender para tê-los. Meu filho é um bandido, porque teve um pai egoísta, que se matou para não enfrentar a responsabilidade. Deixando-nos, ele nos reduziu a esse estado."

Senti-lhe o ódio terrível. Depois, fui atraído à minha filha, num destes lugares miseráveis, onde ela estava exposta como mercadoria. Fui visitar meu filho na cadeia.

Divaldo - falou-me emocionado - aí eu comecei a somar às "dores físicas" a dor moral, dos danos que o meu suicídio trouxe. Porque o suicida não responde só pelo gesto, pelo ato da autodestruição, mas, também, por toda uma onda de efeitos que decorrem do seu ato insensato, sendo tudo isto lançado a seu débito na lei de responsabilidades.

Além de você, mais ninguém orava, ninguém tinha dó de mim, só você, um estranho. Então hoje, que você está sofrendo, eu lhe venho pedir: em nome de todos nós, os infelizes, não sofra! Porque se você entristecer, o que será de nós, os que somos permanentemente tristes? Se você agora chora, que será de nós, que estamos aprendendo a sorrir com a sua alegria? Você não tem o direito de sofrer, pelo menos por nós, e por amor a nós, não sofra mais.

Aproximou-se, me deu um abraço, encostou a cabeça no meu ombro e chorou demoradamente. Doridamente, ele chorou. Igualmente emocionado, falei-lhe: Perdoe-me, mas eu não esperava comovê-lo.

São lágrimas de felicidade. Pela primeira vez, eu sou feliz, porque agora eu me posso reabilitar. Estou aprendendo a consolar alguém. E a primeira pessoa a quem eu consolo é você.

Autor: Divaldo Pereira Franco
Livro: O Semeador de Estrelas, de Suely Caldas Schubert

7.9.16

Suicídio na Visão Espírita


“O suicídio é o maior dos crimes porque é o desprezo do divino remédio nas dores passageiras da vida”. Camilo Castelo Branco.
Define-se suicídio como a ação pela qual alguém põe intencionalmente fim à própria vida. É um ato exclusivamente humano. Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, e pode ser entendido não somente no ato voluntário que produz a morte , mas em todo tipo de ação conscientemente para apressar a extinção das forças vitais, o chamado Suicídio consciente. É uma transgressão da Lei Divina que é a Lei de Conservação. É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade de Deus.

Portanto, é também falta de confiança em Deus e de fé na vida futura. Todo suicídio produz traumatismo perispiritual e mental. Ficando o perispírito ainda impregnado das forças vitais que deveriam ter sido utilizadas na manutenção do corpo, o suicida sofre as conseqüências por ter rompido os laços que o prendiam ao corpo material sem a correspondência dos fluidos e forças vitais.

Esse período é de intenso sofrimento, deixando o suicida num estado vibracional muito conturbado, o que naturalmente o mantém nas zonas inferiores. De acordo com “O Livro dos Espíritos”, aquele que comete o suicídio como vítima das paixões morais (álcool, drogas, sexo, vida desregrada) é duplamente culpado do que outro que é acometido de alguma loucura, porque tem a consciência e muito será pedido a quem muito foi dado. É importante lembrarmos que o sofrimento do suicida não está ligado a uma punição divina, como muitas pessoas pensam, seu sofrimento é conseqüência da violação à lei de conservação e toda sua dor vem dos seu impensado ato. Sendo efeito natural de uma desarmonização com as leis da vida e da morte, a lei da criação. Portanto, não é castigo, é efeito de uma causa.

Em O Livro dos Espíritos, nas perguntas 943 a 957, Allan Kardec discute o tema apontando as causas e as conseqüências deste ato sinistro. Diz-nos que o desgosto vida é efeito da ociosidade, da falta de fé. Os Espíritos nos advertem que quando cometemos o suicídio responderemos como um criminoso. Acrescenta ainda que “aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má, prova que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque vai entrar na vida espiritual carregado de suas mazelas, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida. Deus é muitas vezes menos inexorável que os homens: perdoa o arrependimento sincero e leva em conta o nosso esforço de reparação;”, mas o suicídio nada repara”.

A Doutrina espírita que é consoladora por excelência é também esclarecedora, na medida em que afirma:

1. A vida não acaba com a morte.

A morte não significa o fim da vida, mas somente uma passagem para uma outra vida: a espiritual. 
2. Os problemas não acabam com a morte.

Eles são provas ou expiações, que nos possibilitam a evolução espiritual, quando os enfrentamos com coragem e serenidade. Quem acredita estar escapando dos problemas pela porta do suicídio está somente adiando a situação. 
3. O sofrimento não acaba com a morte.

O suicídio só faz aumentar o sofrimento. Os suicidas que puderam se comunicar conosco descrevem as dores terríveis que tiveram de sofrer, ao adentrar o Mundo Espiritual, devido ao rompimento abrupto dos liames entre o Espírito e o corpo. Para alguns suicidas o desligamento é tão difícil, que eles chegam a sentir seu corpo se decompondo. Além disso, há o remorso por ter transgredido gravemente a lei de Deus 
4. A morte não apaga nossas falhas.

A responsabilidade pelas faltas cometidas é inevitável e intransferível. Elas permanecem em nossa consciência até que a reparemos.

5. A Doutrina Espírita propicia esperança e consolação quando oferece a certeza da continuidade infinita da vida, que é tanto mais feliz quanto melhor suportamos as provas do presente.

No Cap. V, de “O Evangelho segundo o Espiritismo” – “Bem-aventurados os aflitos”, itens de 14 a 17, somos esclarecidos de que a confiança no futuro e a resignação , elimina a possibilidade de se cometer o suicídio, a causa é o descontentamento com algum fato da vida e uma enganosa fuga ao sofrimento. Normalmente acontece quando o homem tem uma visão muito estreita e imediatista da vida.

O início dos nossos problemas está no desconhecimento das leis divinas que regem o Universo. A falta de crença em Deus e a idéia de que tudo acaba com a morte, tornam o ser humano desesperançado, inseguro e angustiado. Quando surge um problema difícil, mais grave, que lhe desafia a capacidade de solução; quando se sente acuado pelas circunstâncias, e a situação fogem ao seu controle parte para a solução que lhe parece mais fácil, e acredita que vai acabar de vez com todos os seus problemas: o suicídio. Na verdade, bastaria compreender a lição sublime do Amor fazendo aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem, para que nos sentíssemos menos infelizes e rejeitados.

Não há morte. A vida continua sempre porque somos espíritos indestrutíveis, imortais, eternos e porque somos partículas emanadas do Nosso Criador, Deus, . O suicida encontra, na Espiritualidade, situações desesperadoras, mais intensas e dolorosas que as que conheceu aqui na Terra. O corpo morre, desaparece; o espírito, porém continuará vivo, respondendo pelas suas ações, em cumprimento à lei divina, que é eterna, e imutável.

A existência é um dom muito precioso, porque nosso corpo é uma concessão divina, para que aprendamos a crescer para a luz e a viver para o amor Afinal, o mundo em que vivemos não tem um Ser Superior que tudo vê, tudo pode e tudo sabe. Não pensemos que Ele desconhece os nossos corações. Somos todos filhos de Deus, que é Pai Amoroso, e que nos dedica o mais profundo amor. Não estamos sozinhos ou desamparados, somos espíritos eternos, cuja meta é a evolução através da reencarnação, progredimos e ganhamos novas experiências e conhecimentos. Nessas vivências cometemos bons atos, desenvolvendo afetos, e atos negativos, prejudicando o próximo e a nós mesmos.Pratiquemos o bem em todas as oportunidades, sabendo que Jesus, o Amigo Divino, está conosco, silencioso e compassivo fortalecendo-nos nas horas difíceis, amparando-nos nos momentos de dor e sustentando-nos na caminhada rumo à evolução, sem nunca nos abandonar

Associação Espírita Kardecista Casa do Caminho, Escola de moral Cristã
Fontes :Evangelho segundo Espiritismo, Livro dos Espíritos, Vida em Família/Joana de Ângelis

Pz e Luz