21.9.16

Trovas!


Ari, filho de Zefinha,
Guloso como ele só,
Comia porco, galinha,
E outros bichos, sem dó.


O Zequinha da farmácia,
Chamava sua atenção,
"Atrás da carne macia,
Vem males pro coração!"


Mas Ari nem lhe ouvia,
Teimoso feito criança,
A coisa que mais queria,
Era encher sua pança.


No aniversário da Bia,
Comeu feito um condenado,
Logo entrou em agonia,
Com o coração enfartado.


Fica aqui uma lição,
Pra quem come sem medida,
Quem sofre é o coração,
Com excesso de comida!


Espírito Cornélio Pires,
Médium Chico Xavier

Paz e Luz!

15.9.16

Chamados e Escolhidos



Estejamos convencidos de que ainda nos achamos a longa distância do convívio com os eleitos da Vida Celeste; entretanto, pelo chamamento da fé viva que hoje nos trás ao conhecimento superior, guardemos a certeza de que já somos os escolhidos:

- para a regeneração de nós mesmos;
- para o cultivo sistemático e intensivo do bem;
- para o esquecimento de todas as faltas do próximo, de modo a recapitular com rigor as nossas próprias imperfeições redimindo-as;
- para o perdão incondicional, em todas as circunstâncias da vida;
- para a atividade infatigável na confraternização verdadeira;
- para auxiliar os que erram;
- para ensinar aos mais ignorantes que nós; 
- para suportar o sacrifício no amparo aos que sofrem, sem a graça da fé renovadora que já nos robustece o espírito;
- para servir além de nossas próprias obrigações, sem direito àrecompensa;
- para compreender os nossos irmãos de jornada evolutiva, sem exigir que nos entendam;
- para apagar as fogueiras do ódio e da incompreensão, ao preço denossa própria renúncia;
- para estender a caridade sem ruído, como quem sabe que ajudar aos outros é enriquecer a própria existência;
- para persistir nas boas obras sem reclamações e sem desfalecimentos, em todos os ângulos do caminho;
- para negar a nossa antiga vaidade e tomar, sobre os próprios ombros,cada dia, a cruz abençoada e redentora de nossos deveres, marchando, com humildade e alegria, ao encontro da vida sublime...

A indicação honrosa nos felicita.

Nossa presença nos estudos do Evangelho expressa o apelo que flui do Céu no rumo de nossas consciências. Chamados para a luz e escolhidos para o trabalho.

Eis a nossa posição real nas benções do “hoje”. E se quisermos aceitar a escolha com que fomos distinguidos,estejamos certos igualmente de que em breve, “amanhã”, comungaremos felizes com o nosso Mestre e Senhor. 

Do livro "Instrumentos do Tempo", psicografia de Francisco Cândido Xavier pelo espírito 
Emmanuel.

Paz e Luz!

8.9.16

O Suicida do Trem

Eu nunca me esquecerei que um dia havia lido num jornal acerca de um suicídio terrível, que me impactou: um homem jogou-se sobre a linha férrea, sob os vagões da locomotiva e foi triturado. E o jornal, com todo o estardalhaço, contava a tragédia, dizendo que aquele era um pai de dez filhos, um operário modesto.

Aquilo me impressionou tanto que resolvi orar por esse homem. Tenho uma cadernetinha para anotar nomes de pessoas necessitadas. Eu vou orando por elas e, de vez em quando, digo: se este aqui já evoluiu, vou dar o seu lugar para outro; não posso fazer mais.

Assim, coloquei-lhe o nome na minha caderneta de preces especiais - as preces que faço pela madrugada. Da minha janela eu vejo uma estrela e acompanho o seu ciclo; então, fico orando, olhando para ela, conversando. Somos muito amigos, já faz muitos anos. Ela é paciente, sempre aparece no mesmo lugar e desaparece no outro.

Comecei a orar por esse homem desconhecido. Fazia a minha prece, intercedia, dava uma de advogado, e dizia: Meu Jesus, quem se mata (como dizia minha mãe) "não está com o juízo no lugar". Vai ver que ele nem quis se matar; foram as circunstâncias. Orava e pedia, dedicando-lhe mais de cinco minutos (e eu tenho uma fila bem grande), mas esse era especial.

Passaram-se quase quinze anos e eu orando por ele diariamente, onde quer que estivesse. Um dia, eu tive um problema que me fez sofrer muito. Nessa noite cheguei à janela para conversar com a minha estrela e não pude orar. Não estava em condições de interceder pelos outros.

Encontrava-me com uma grande vontade de chorar; mas, sou muito difícil de fazê-lo por fora, aprendi a chorar por dentro. Fico aflito, experimento a dor, e as lágrimas não saem. (Eu tenho uma grande inveja de quem chora aquelas lágrimas enormes, volumosas, que não consigo verter). Daí a pouco a emoção foi-me tomando e, quando me dei conta, chorava.

Nesse ínterim, entrou um Espírito e me perguntou: Por que você está chorando? Ah! Meu irmão - respondi - hoje estou com muita vontade de chorar, porque sofro um problema grave e, como não tenho a quem me queixar, porquanto eu vivo para consolar os outros, não lhes posso contar os meus sofrimentos. Além do mais, não tenho esse direito; aprendi a não reclamar e não me estou queixando.

O Espírito retrucou: Divaldo, e seu eu lhe pedir para que você não chore, o que é que você fará? Hoje nem me peça. Porque é o único dia que eu consegui fazê-lo. Deixe-me chorar! Não faça isto, pediu. Se você chorar eu também chorarei muito.

Mas por que você vai chorar? perguntei-lhe: Porque eu gosto muito de você. Eu amo muito a você e amo por amor. Como é natural, fiquei muito contente com o que ele me dizia.

Você me inspira muita ternura - prosseguiu - e o amo por gratidão. Há muitos anos eu me joguei embaixo das rodas de um trem. E não há como definir a sensação da eterna tragédia. Eu ouvia o trem apitar, via-o crescer ao meu encontro e sentia-lhe as rodas me triturando, sem terminar nunca e sem nunca morrer. Quando acabava de passar, quando eu ia respirar, escutava o apito e começava tudo outra vez, eternamente.

Até que um dia escutei alguém chamar pelo meu nome. Fê-lo com tanto amor, que aquilo me aliviou por um segundo, pois o sofrimento logo voltou. Mais tarde, novamente, ouvi alguém chamar por mim. Passei a ter interregnos em que alguém me chamava, eu conseguia respirar, para aguentar aquele morrer que nunca morria e não sei lhe dizer o tempo que passou.

Transcorreu muito tempo mesmo, até o momento em que deixei de ouvir o apito do trem, para escutar a pessoa que me chamava. Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: "Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se." Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.

Eu perguntei - continuou o Espírito - quem é? Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia? Mamãe surgiu e esclareceu-me: “É uma alma que ora pelos desgraçados. Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome. (Note que eu nunca o vira, face às diferenças vibratórias.)

Quando adquiri a consciência total - prosseguiu ele - já se haviam passado mais de catorze anos. Lembrei-me de minha família e fui à minha casa. Encontrei a esposa blasfemando, injuriando-me:

"Aquele desgraçado desertou, reduzindo-nos à mais terrível miséria. A minha filha é hoje uma perdida, porque não teve comida e nem paz e foi-se vender para tê-los. Meu filho é um bandido, porque teve um pai egoísta, que se matou para não enfrentar a responsabilidade. Deixando-nos, ele nos reduziu a esse estado."

Senti-lhe o ódio terrível. Depois, fui atraído à minha filha, num destes lugares miseráveis, onde ela estava exposta como mercadoria. Fui visitar meu filho na cadeia.

Divaldo - falou-me emocionado - aí eu comecei a somar às "dores físicas" a dor moral, dos danos que o meu suicídio trouxe. Porque o suicida não responde só pelo gesto, pelo ato da autodestruição, mas, também, por toda uma onda de efeitos que decorrem do seu ato insensato, sendo tudo isto lançado a seu débito na lei de responsabilidades.

Além de você, mais ninguém orava, ninguém tinha dó de mim, só você, um estranho. Então hoje, que você está sofrendo, eu lhe venho pedir: em nome de todos nós, os infelizes, não sofra! Porque se você entristecer, o que será de nós, os que somos permanentemente tristes? Se você agora chora, que será de nós, que estamos aprendendo a sorrir com a sua alegria? Você não tem o direito de sofrer, pelo menos por nós, e por amor a nós, não sofra mais.

Aproximou-se, me deu um abraço, encostou a cabeça no meu ombro e chorou demoradamente. Doridamente, ele chorou. Igualmente emocionado, falei-lhe: Perdoe-me, mas eu não esperava comovê-lo.

São lágrimas de felicidade. Pela primeira vez, eu sou feliz, porque agora eu me posso reabilitar. Estou aprendendo a consolar alguém. E a primeira pessoa a quem eu consolo é você.

Autor: Divaldo Pereira Franco
Livro: O Semeador de Estrelas, de Suely Caldas Schubert

7.9.16

Suicídio na Visão Espírita


“O suicídio é o maior dos crimes porque é o desprezo do divino remédio nas dores passageiras da vida”. Camilo Castelo Branco.
Define-se suicídio como a ação pela qual alguém põe intencionalmente fim à própria vida. É um ato exclusivamente humano. Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, e pode ser entendido não somente no ato voluntário que produz a morte , mas em todo tipo de ação conscientemente para apressar a extinção das forças vitais, o chamado Suicídio consciente. É uma transgressão da Lei Divina que é a Lei de Conservação. É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade de Deus.

Portanto, é também falta de confiança em Deus e de fé na vida futura. Todo suicídio produz traumatismo perispiritual e mental. Ficando o perispírito ainda impregnado das forças vitais que deveriam ter sido utilizadas na manutenção do corpo, o suicida sofre as conseqüências por ter rompido os laços que o prendiam ao corpo material sem a correspondência dos fluidos e forças vitais.

Esse período é de intenso sofrimento, deixando o suicida num estado vibracional muito conturbado, o que naturalmente o mantém nas zonas inferiores. De acordo com “O Livro dos Espíritos”, aquele que comete o suicídio como vítima das paixões morais (álcool, drogas, sexo, vida desregrada) é duplamente culpado do que outro que é acometido de alguma loucura, porque tem a consciência e muito será pedido a quem muito foi dado. É importante lembrarmos que o sofrimento do suicida não está ligado a uma punição divina, como muitas pessoas pensam, seu sofrimento é conseqüência da violação à lei de conservação e toda sua dor vem dos seu impensado ato. Sendo efeito natural de uma desarmonização com as leis da vida e da morte, a lei da criação. Portanto, não é castigo, é efeito de uma causa.

Em O Livro dos Espíritos, nas perguntas 943 a 957, Allan Kardec discute o tema apontando as causas e as conseqüências deste ato sinistro. Diz-nos que o desgosto vida é efeito da ociosidade, da falta de fé. Os Espíritos nos advertem que quando cometemos o suicídio responderemos como um criminoso. Acrescenta ainda que “aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má, prova que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque vai entrar na vida espiritual carregado de suas mazelas, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida. Deus é muitas vezes menos inexorável que os homens: perdoa o arrependimento sincero e leva em conta o nosso esforço de reparação;”, mas o suicídio nada repara”.

A Doutrina espírita que é consoladora por excelência é também esclarecedora, na medida em que afirma:

1. A vida não acaba com a morte.

A morte não significa o fim da vida, mas somente uma passagem para uma outra vida: a espiritual. 
2. Os problemas não acabam com a morte.

Eles são provas ou expiações, que nos possibilitam a evolução espiritual, quando os enfrentamos com coragem e serenidade. Quem acredita estar escapando dos problemas pela porta do suicídio está somente adiando a situação. 
3. O sofrimento não acaba com a morte.

O suicídio só faz aumentar o sofrimento. Os suicidas que puderam se comunicar conosco descrevem as dores terríveis que tiveram de sofrer, ao adentrar o Mundo Espiritual, devido ao rompimento abrupto dos liames entre o Espírito e o corpo. Para alguns suicidas o desligamento é tão difícil, que eles chegam a sentir seu corpo se decompondo. Além disso, há o remorso por ter transgredido gravemente a lei de Deus 
4. A morte não apaga nossas falhas.

A responsabilidade pelas faltas cometidas é inevitável e intransferível. Elas permanecem em nossa consciência até que a reparemos.

5. A Doutrina Espírita propicia esperança e consolação quando oferece a certeza da continuidade infinita da vida, que é tanto mais feliz quanto melhor suportamos as provas do presente.

No Cap. V, de “O Evangelho segundo o Espiritismo” – “Bem-aventurados os aflitos”, itens de 14 a 17, somos esclarecidos de que a confiança no futuro e a resignação , elimina a possibilidade de se cometer o suicídio, a causa é o descontentamento com algum fato da vida e uma enganosa fuga ao sofrimento. Normalmente acontece quando o homem tem uma visão muito estreita e imediatista da vida.

O início dos nossos problemas está no desconhecimento das leis divinas que regem o Universo. A falta de crença em Deus e a idéia de que tudo acaba com a morte, tornam o ser humano desesperançado, inseguro e angustiado. Quando surge um problema difícil, mais grave, que lhe desafia a capacidade de solução; quando se sente acuado pelas circunstâncias, e a situação fogem ao seu controle parte para a solução que lhe parece mais fácil, e acredita que vai acabar de vez com todos os seus problemas: o suicídio. Na verdade, bastaria compreender a lição sublime do Amor fazendo aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem, para que nos sentíssemos menos infelizes e rejeitados.

Não há morte. A vida continua sempre porque somos espíritos indestrutíveis, imortais, eternos e porque somos partículas emanadas do Nosso Criador, Deus, . O suicida encontra, na Espiritualidade, situações desesperadoras, mais intensas e dolorosas que as que conheceu aqui na Terra. O corpo morre, desaparece; o espírito, porém continuará vivo, respondendo pelas suas ações, em cumprimento à lei divina, que é eterna, e imutável.

A existência é um dom muito precioso, porque nosso corpo é uma concessão divina, para que aprendamos a crescer para a luz e a viver para o amor Afinal, o mundo em que vivemos não tem um Ser Superior que tudo vê, tudo pode e tudo sabe. Não pensemos que Ele desconhece os nossos corações. Somos todos filhos de Deus, que é Pai Amoroso, e que nos dedica o mais profundo amor. Não estamos sozinhos ou desamparados, somos espíritos eternos, cuja meta é a evolução através da reencarnação, progredimos e ganhamos novas experiências e conhecimentos. Nessas vivências cometemos bons atos, desenvolvendo afetos, e atos negativos, prejudicando o próximo e a nós mesmos.Pratiquemos o bem em todas as oportunidades, sabendo que Jesus, o Amigo Divino, está conosco, silencioso e compassivo fortalecendo-nos nas horas difíceis, amparando-nos nos momentos de dor e sustentando-nos na caminhada rumo à evolução, sem nunca nos abandonar

Associação Espírita Kardecista Casa do Caminho, Escola de moral Cristã
Fontes :Evangelho segundo Espiritismo, Livro dos Espíritos, Vida em Família/Joana de Ângelis

Pz e Luz

27.8.16

Desenvolvimento Mediúnico: Sinais Precursores


Além das perturbações psíquicas em si mesmas há ainda vários outros sinais que indicam o afloramento de faculdades e que variam segundo a natureza desta. Assim, para a Lucidez temos:

SONHOS E VISÕES

Nesse período de que estamos tratando o médium sonha com intensidade e nitidez cada vez maiores. Em seguida, no semi-sono, os sonhos passam a ser verdadeiras visões, cada vez mais perfeitas e significativas. E, em grau mais avançado, muitas vezes mesmo em plena vigília, primeiro no escuro e mais tarde no claro, passa a distinguir as cores áuricas das pessoas e dos objetos, formas indistintas e confusas dos planos hiperfísicos.

Na maioria das vezes as visões são desagradáveis; representam animais estranhos, e formas ou seres humanos grotescos e mesmo repugnantes e isso porque o desenvolvimento começa, quase sempre com a interferência de Espíritos inferiores, que provocam tais visões, quando não é o próprio médium que diretamente vê tais coisas, nas esferas inferiores do Umbral.

AUDIÇÃO

O médium ouve vozes, rumores, de princípio incompreensíveis, mais ou menos nítidos em seguida, mesmo não se tratando de mediunidade auditiva. Outros padecem de zumbido nos ouvidos e muitos há que de tal maneira se tornam sensíveis a tais coisas, que chegam a não poder conciliar o sono, com grave risco para sua saúde física e mental.

Para a Incorporação temos:

ADORMECIMENTO

Os médiuns que, por efeito de sua própria perturbação, não conseguem concentrar-se ou dominar-se, mormente no curso dos trabalhos práticos, são submersos, pelos próprios protetores invisíveis, em um sono mais ou menos profundo, durante o qual agem sobre eles, afastando as causas perturbadoras ou trabalhando nos órgãos da sensibilidade, para a necessária preparação.

Agem também assim sobre aqueles que vem para o trabalho espiritual em condições físicas impróprias, por cansaço ou moléstia ou ainda por efeito de preocupações intensas, ligadas à vida material; todas estas condições são incompatíveis com o trabalho e exigem cuidados reparadores.

FLUIDOS

À medida que a sensibilidade se apura o médium sente, cada vez mais intensamente, fluidos que tanto podem vir de encarnados como de desencarnados presentes à sessão; e, conforme seja o grau dessa sensibilidade podem também provir de entidades de maior hierarquia protetores do trabalho ou para os quais, durante ele, se apelou e que, nestes casos enviam, às vezes de grandes distâncias, suas radiações poderosas.

Pelo seu teor vibratório esses fluidos agem sobre o perispírito do sensitivo de forma agradável ou não, produzindo boa ou má impressão, provocando reação suave e reparadora ou violenta e dolorosa.

Pela natureza, pois, dos fluidos que sente, pode o médium determinar a presença ou a ação de entidades ou forças boas ou más, do mundo invisível.

Convém também dizer que os fluidos agem de preferência em determinadas regiões do organismo, ou melhor, refletem sua ação em lugares de eleição do organismo físico, segundo sua própria natureza e variando de indivíduo para indivíduo. Assim uns sentem fluidos pesados, (de Espíritos inferiores) no alto da cabeça, à esquerda, outros à direita, outros no braço, nas pernas, no epigastro, e fluidos leves (de Espíritos superiores) nestes ou naqueles pontos do corpo, sistematicamente.

IDÉIAS E IMPULSÕES ESTRANHAS

Sensíveis como são aos fenômenos hiperfísicos os médiuns começam a perceber, nesse período pré-medíúnico, idéias estranhas, que lhes surgem na mente de forma às vezes obsidiante, bem como impulsos de ‘agirem em determinados sentidos, de fazerem tal ou qual coisa, de que também jamais cogitaram.

E como podem, nesses primeiros tempos, devido à sua natural inexperiência, sofrer arbitrariamente influência de bons e maus Espíritos, é necessário vigiar sempre, interferir com a razão continuamente, analisando tais idéias e impulsos, não se deixando levar por eles e optando sempre pelo que for mais criterioso e justo.

ENTORPECIMENTO, FRIO E RIGIDEZ

 Os protetores, durante esse período que estamos analisando, agem sobre os órgãos da sensibilidade, bem como sobre todo o sistema nervoso justamente visando o preparo do campo para as atividades mediúnicas e essa ação muitas vezes provoca reflexos nos músculos, inibições na corrente sanguínea e nas terminações nervosas, do que resultam os fenômenos citados, se bem que sempre em carater passageiro.

O entorpecimento ora é nos braços e mãos, ora nas pernas e pés, sendo também às vezes precedido de uma incômoda sensação de formigamento da epiderme em geral.

ALHEAMENTO, ESVAIMENTO, VERTIGEM

Nos casos de semi-incorporação ou incorporação total o processo mais ou menos profundo da exteriorização do Espírito do médium provoca tais fenômenos, também passageiramente.

Em casos anormais porém, podem eles ser provocados pela ‘influenciação de Espíritos obsessores que, não tendo em mira objetivos benignos em relação ao médium, interferem com brutalidade, produzindo distúrbios no campo da vida nervosa ou psíquica.

“BALLONNEMENT”

Adotamos esta expressão francesa para indicar a sensação de dilatação, estufamento, inchamento de mãos, pés e rosto do médium, que muitas vezes ocorre antes do transe. E’ ainda efeito da exteriorização, do deslocamento do perispírito do médium dentro do arcabouço físico para ceder lugar, parcial ou totalmente, ao Espírito comunicante.

Por último, são os seguintes os sinais prévios, no campo exterior, referentes aos casos de efeitos físicos: “raps”, rumores. diferentes, deslocação de objetos de uso, batidas em móveis, paredes, luzes e formas fluídicas, de ocorrência arbitrária e imprevista, tanto no lar como nos lugares freqüentados pelos médiuns. 

Quando ocorrem esses fenômenos, como sucede em muitas casas que, por isso, ficam mal vistas pelo povo, procure-se logo o responsável que, invariàvelmente é um médium de efeitos físicos.

Todas estas perturbações são próprias do período pré-mediúnico e podem mesmo avançar um pouco a dentro no período do próprio desenvolvimento mas terminam sempre por cessar à medida que as faculdades se desenvolvem e educam, entrando em atividade norma



Livro Mediunidade
Autor Edgard Armond

Muita Paz!

26.8.16

Obreiro Sem Fé


"....e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." 
(Tiago, 2:18)

Em todos os lugares, vemos o obreiro sem fé, espalhando inquietação e desânimo.

Devota-se a determinado empreendimento de caridade e abandona-o, de início, murmurando:

- "Para quê? 
O mundo não presta."

Compromete-se em deveres comuns e, sem qualquer mostra de persistência, se faz demissionário de obrigações edificantes, alegando: .Não nasci para o servilismo desonroso.

Aproxima-se da fé religiosa, para desfrutar-lhe os benefícios, entretanto, logo após, relega-a ao esquecimento, asseverando:

- "Tudo isto é mentira e complicação."

Se convidado a posição de evidência, repete o velho estribilho:

- "Não mereço! Sou indigno!..."

Se trazido a testemunhos de humildade, afirma sob manifesta revolta:

- "Quem me ofende assim.?"

E transita de situação em situação, entre a lamúria e a indisciplina, com largo tempo para sentir-se perseguido e desconsiderado.

Em toda parte, é o trabalhador que não termina o serviço por que se responsabilizou ou o aluno que estuda continuadamente, sem jamais aprender a lição.

Não te concentres na fé sem obras, que constitui embriaguez perigosa da alma, todavia, não te consagres à ação, sem fé no Poder Divino e em teu próprio esforço.

O servidor que confia na Lei da Vida reconhece que todos os patrimônios e glórias do Universo pertencem a Deus. Em vista disso, passa no mundo, sob a luz do entusiasmo e da ação no bem incessante, completando as pequenas e grandes tarefas que lhe competem, sem enamorar-se de si mesmo na vaidade e sem escravizar-se às criações de que terá sido venturoso instrumento.

Revelemos a nossa fé, através das nossas obras na felicidade comum e o Senhor conferirá à nossa vida o indefinível acréscimo de amor e sabedoria, de beleza e poder.


Francisco Cândido Xavier.
Livro Fonte Viva. 
Pelo Espírito Emmanuel.

Paz a todos!